O ato de pensar versus O ato de
pensar e agir reflexivamente
Uma contraposição filosófica
Desde
o surgimento do homem, esse, busca incessantemente respostas para o que vê e o que não vê, seja na era do fogo ou da interação
virtual, a busca pelo conhecer não é uma exclusividade do indivíduo, dito, filósofo. O que se deveria ter em mente é a distinção
entre o ato de pensar puramente instintivo e o ato de pensar reflexivo.
Quando se quer algo se busca esse algo para saciar o desejo do querer seja esse um desejo
individual ou um desejo coletivo, que não deixa de ser individual afinal, se querer agir no coletivo depende de uma decisão
ou um agir, ou melhor, ainda um agir reflexivo a partir do próprio pensamento em interesse da coletividade, ou como os Vazqueanos
elencam “uma práxis”.
Em que consiste então o ato de pensar instintivo. Essa
parte do princípio da sobrevivência. Agir de tal modo que, se possa viver no mundo interagido com esse em todos os momentos
da existência. É sim um pensar individualista em que o EU é mais importante que o NÓS. O ente HOMEM ao se deparar com situações
em que necessite se impor sobre o outro logo recorre primeiramente ao instinto de sobreviver para depois o de se impor. O
ato de pensar e agir parte de um pilar básico da sobrevivência. Esse modo de pensar tanja o que filósofos da ética apregoam
em defesa dessa.
Obviamente
se deve buscar a sobrevivência, entretanto, essa não deveria ser tangente à ética, mas ser paralela a essa. Aristóteles elenca
que o ente busca a Felicidade e essa se conquista com atos éticos. Shopenhauer fala do desejo e Hegel do reconhecimento do
outro. Logo se vê que em toda história da filosofia houve pensadores que trabalharam a questão da ética dentro de uma perspectiva
do antropocêntria. A máxima “penso logo existo” considera apenas a existência do ente pensante no mundo enquanto
filósofos como Enrique Dussel, expoente da Filosofia da Libertação, apregoam que o ente deveria além de pensar não apenas
existir, mas existir como todo não como excluído da dialética social, isto é, pensar existir e agir uma tríplice consideração
universalizada a todos os indivíduos não apenas aos entes burgueses e ou proletários como consideram os materialistas. Uma
inserção do outro, isto é, dos excluídos a exemplo do mendigo do índio dos campesinos dos entes sem documentos oficiais. Afinal
pensar e existir são uma questão de certeza, já pensar existir e agir passa para uma posição de participar.
O
ente pensante existe como existem as batidas do coração, mas o ente pensante que age funcionalmente através de seu pensamento
de sua reflexão pode ser esse ente que busca a libertação das amarras, como no mito da caverna platônica. Logicamente cada
ente tem que desejar se libertar e ser esse ente.
Quando
se pensa sobre algo se está apenas pensando, contudo ao interagir se aciona o movimento reflexivo e isso declina em uma filosofia
efetiva. O filósofo não seria então aquele que fica pensando como na figura da arte “O pensador” mas sim o agente
transformador que age dentro de uma práxis balizada pela ética, muito comum dentro dos Movimentos Sociais. Esse filosofar
ativo não é exclusividade da erudição, mas é universal. Ser Filosofo em tempos de crise é ser alguém que pensa reflete e age
de tal modo que ele próprio e o seu meio se transforme em busca da eudaimonia (felicidade aristotélica). Portanto agir
por instinto de sobrevivência é apenas um reflexo da natureza humana comum a todos os entes, em contraponto, ao se agir de
modo a considerar a universalidade dos entes se está disponibilizando a capacidade de ação do ato filosófico. Buscar a verdade
sobre as coisas e interagir com essas sim deveria ser o cerne do pensamento reflexivo em uma sociedade cada vez mais individualista
onde o homem inserido no mundo social não consegue ir alem da própria existência, por conseguinte vive infeliz.